Produção esclarece valor do show de Alcymar Monteiro

Do Blog do Magno Martins

Por Júnior Monteiro*

Em resposta ao leitor Carlos Souza, a respeito de valores de cachês.

1) Alcymar Monteiro tem 35 anos de carreira consolidada. 100 discos gravados. Seu cachê representa muito pouco em relação à história, carreira e defesa da cultura nordestina pelo artista. Cachês são valores complexos, que englobam mais de 40 profissionais que trabalham para o artista em diversas áreas, de jornalista a motorista de ônibus. Não se iludam que esses valores não entram integralmente no bolso de ninguém.

2) Dia 3 de junho não foi uma data normal da programação de Caruaru. Foi a abertura dos festejos juninos naquela cidade, data nobre, portanto.

3) Dia 12 de junho, apesar de dia de Santo Antônio e dia dos namorados, caiu em uma segunda-feira, aí sim data “não-nobre”, para quem conhece como são fechados eventos.

4) Os valores de shows para o governo do Estado são regidos por critérios completamente diferentes do que os critérios para prefeituras. Para quem não sabe como funciona, o governo do Estado libera um “crédito” para as cidades pagarem apenas cachês artísticos, e os municípios entram com a estrutura de som, palco, iluminação, segurança, hospedagem, alimentação, camarim etc. Com as prefeituras é o oposto: a prefeitura de Caruaru, por exemplo, acertou o valor integral de cachê e despesas do artista, valor global, não recaindo sobre a mesma nenhuma despesa extra. A prefeitura acerta esse valor e diz o horário para subir ao palco, apenas. Todas as outras despesas recaem sobre o artista.

5) O que ocorre com a Fundarpe é basicamente um encaixe de datas consideradas de menor valor, com valores negociados. Isso permite a contratação dos artistas pelo governo, barateando o custo dos mesmos para as cidades, visto que os créditos fornecidos pela Fundarpe às cidades muitas vezes tornam as apresentações impossíveis de serem realizadas.

6) O MPPE e o TCE devem sim se pronunciar sobre o fato de cachês astronômicos terem sido pagos em 2016 pela antiga gestão de José Queiroz, para atrações que não são comprometidas com o verdadeiro Forró, como Luan Santana (R$ 325.000,00), Bell Marques (R$ 280.000,00), Matheus e Kauã (R$ 180.000,00). E também sobre a enorme disparidade com artistas como Renilda Cardoso (R$ 10.000,00) e Azulão – homenageado do São João (R$ 25.000,00).

Se mais pessoas tivessem a postura que o leitor tem, de questionar os valores pagos às atrações do Sul, e não tentar patrulhar cachês de artistas locais, com certeza nossa cultura local estaria melhor representada e prestigiada.

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